quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Doce despertar

Vocês não sabem, porque eu nunca vos disse, mas andam uns senhores na casa ao lado a partir paredes há coisa de dois meses. Tenho feito a minha lide matinal ao som de belas sinfonias de marretada sincronizada, marretada individual, marretada a dois tempos, marretada a quatro tempos (como já deu para entender não percebo um boi de compassos musicais e fugiu-me a boca para uma analogia associada às motas). De vez em quando a sinfonia transfere-se para sonoridades plugged in à laia de martelos pneumáticos.

Por esta altura, pensava eu, já não havia mais parede para picar, mais roço para abrir, mais móvel para segurar, enganei-me... Hoje viraram-se para a única parede que ainda estava imaculada, aposto que vão adivinhar qual. Isso mesmo, a que fica do lado de lá do meu quarto. Essa toda, a encontada à cama. Ora nem mais, a colada mesmo à minha orelha direita. Obrigado por este doce despertar, amanhã novamente às 8h30 se ainda tiverem parede. Um grande bem haja, senhores.

E isto é o quê?

Um apelo a um movimento solidário? Um USA for funcionários públicos que trabalha de 2ª a 6ª feira das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30 com direito a chá e café com carinho feito por senhoras para eles? Gosto da métrica "somos funcionários públicos da autarquia", mesmo à justa. É muita pressão, trabalham todo o dia (como se vê pelo horário), são obrigados a poupar nas canetas e envelopes, e ainda ganham pouco. Uma verdadeira lista de reivindicações e informação ao povo que agora sempre que se esquecer do horário é só pensar na música.

Um claro candidato ao Laboratolarilolela, pena que tenha acabado... Obrigado ao 5dias.net/ pela dica


E se algum dia vos mandarem para aqui..



...lembrem-se que só vão se quiserem. Ainda assim, uma página útil para aquelas situações difíceis.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Pop the question thing...

Alguém me há-de explicar que raio de reacção química/emocional/o que seja obriga as mulheres a derreterem-se todas com a cena de serem pedidas em casamento de joelhos, depois da sobremesa e com uma encenação qualquer feita em público. E porque é que o estado de derretimento é tanto que a descrição termina sempre num sim lavado em lágrimas?

Será que é um derivado duma qualquer imagem de humilhação/engrandecimento do género: sou tão especial que este tipo até se curva perante mim quase sucumbindo ao desejo/desespero de me ter com ele para todo o sempre. A verdade é que a história nem tem de ter acontecido com elas, basta que seja com uma amiga, uma conhecida da amiga, uma pessoa com quem se cruzam no barco da Transtejo para servir de pico animado de conversa, de preferência atirado para cima de interlocutores homens. Só lhes falta terminar a conversa com um «tás a ver!? E tu nem um ramo de rosas me ofereces...» Toda e qualquer mulher deveria meter na cabeça que um gajo que se põe de joelhos para as pedir em casamento é porque está preocupado com a possibilidade de não ter outra hipótese de futuro... É garantir o investimento ou, do outro lado, o abismo.

Entretanto, alguém me alertou para a culpa das histórias de amor perfeitas dos romances de cordel, dos filmes de Domingo à tarde, dos livrinhos coloridos com histórias de fadas e princesas e cavaleiros que todos lived happily ever after... Folheassem menos livrinhos e dedicassem mais tempo na infância a apanhar grilos e fazer covinhas para jogar à carica e nada disto acontecia.

Se querem que vos diga, a verdade é uma e só uma, elas choram de cada vez que vêem um doido qualquer dar-se a esse desplante porque, tendo em conta todos esses anos de preparação genética e mental para a coisa, simplesmente percebem: E agora!? Tou entalada, foda-se... Eu não posso dizer que não a isto... Ainda por cima está o restaurante todo a olhar, os empregados já têm a rolha do champanhe pronta para o "pop", o quarteto de violinos já está impaciente... Nunca mais vou poder olhar directamente na cara duma outra mulher e dizer -lhe que a traí, que traí o nirvana do sonho feminino, foda-se... Dá ou não dá vontade de chorar?

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Federer de volta ao Estoril Open


Mas que boa notícia, afinal não é todos os dias que o número 1 do Ranking ATP vem a um torneio português bater umas bolas. É sabido que o senhor Suíço precisa de comer muita açorda no que toca a pisos de terra batida, gosta mais deles rápidos, por isso vem cá preparar o jogo para Roland Garros. Não faz mal, tenho a certeza que só para ganhar ao líder o resto da malta vai dar o litro.

Sabem quem é que eu acho que gostava de cá vir bater umas bolas pró ano, isto assim no sonho que estou a ter neste momento, o Davydenko
. Mas sem desistir porque o jogo até estava a correr bem. Era uma forma de se vingar depois de ter dado o caneco ao Suíço de mão beijada. Era o Russo ou o Djokovic porque gosto muito do miúdo. O Nadal? Esse também podia vir, é o número 2, mas não fazia grande questão, não gostei muito do último jogo que vi dele.

domingo, 1 de Novembro de 2009

PÚBLICO "Um Novo Começo"


Quando há 16 anos, fazendo assim as contas por alto, comecei a estudar comunicação e jornalismo, tive o privilégio de ver uma espécie de documentário onde se relatavam todas as etapas de como era fazer um jornal: desde a reunião de redacção à impressão. Naquela altura, eu era um aluno do ensino secundário, o narrador do "documentário" era José Manuel Fernandes jornalista, só mais tarde viria ser director, e, como já adivinharam, o jornal era o PÚBLICO.

Ouvir falar em coisas como livro de estilo, investigação, isenção, independência, opinião, para um adolescente que só tinha interiorizada uma coisa chamada pirâmide invertida, soou a novidade, a mistério, a fascínio. Durante muito tempo pensava que ia ser jornalista de imprensa escrita e que, com um grande golpe de sorte, me iria sentar naquela redacção - o que para um aldeão minhoto como eu, seria uma meta bastante longínqua (mal eu sabia que, um dia, ia ter à minha frente numa sala de aulas o mesmo José Manuel Fernandes já como director do jornal, mas isso é outra conversa...) Comprar o PÚBLICO passou a ser, desde esse dia, o materializar de tudo isto. A curiosidade e o crescimento fez com que tivesse a fase de comprar outros jornais, com destaque para a fase de escolher conforme a capa. Não fui, não sou, cada vez estou pior, um leitor fiel do PÚBLICO. Mas estive sempre atento, segui com interesse as mudanças, as polémicas também, muito mais do que segui esses mesmos acontecimentos noutros jornais.

O PÚBLICO tem ainda outro mérito, o de estar lá, na internet, antes de toda a gente e de sempre ter valorizado a informação que dava aos leitores que lá o procuravam. E isto, numa altura em que pouco ou nada se via na internet o principal difusor de informação. Bem sabemos como hoje tudo é diferente, muitas vezes quando a noticia chega aos noticiários já a comunidade a discutiu e debateu, e muito mais desactualizada fica quando nos chega no jornal do dia seguinte.

Os jornais, principalmente os que querem ser referência para o público, têm hoje uma missão complicada que os obriga a trabalhar o dobro, a procurar a novidade, a investigar, a procurar novos ângulos, novas formas, e, porque não, novos discursos. Os leitores já não estão iguais. A concorrência já não são só os outros jornais ou a imprensa mais imediata tradicional. A concorrência são os jornais estrangeiros, são os blogues, são o Facebook e o Twitter - sim, as redes sociais também difundem informação, por muito que isso não entre na cabeça de certos senhores que opinam muito sobre o tema em jornais e no seu próprio blogue - e são a rede de amigos virtuais e de jornalistas que estão ali do outro lado da mensagem que escrevem e do conhecimento que partilham.

Tanta conversa para dizer que é com interesse redobrado que assisto a "Um Novo Começo", porque é assim assumido pelo próprio PÚBLICO e pela nova direcção editorial. Ainda por cima depois de me ter entusiasmado com o novíssimo e moderno i que, para mim, ocupa já um espaço importante na lista de títulos da imprensa nacional. Ter uma mulher como directora (espero que não me acusem de nada) parece-me ser um sinal de que querem ser diferentes dos outros e do que eram, esperemos que consigam. O PÚBLICO precisa e, sem querer parecer político, o país também precisa de diários de referência que saibam acompanhar as mudanças e se modernizem, mas que mantenham intacta a independência e que saibam assumir os erros, porque acontecem e não há coisas imaculadas, mas que, sobretudo, não se deixem envolver em trapalhadas. O contrato com os leitores a isso obrigad e deve estar sempre acima de tudo.

Foi também com o mesmo entusiasmo de adolescente que assisti ao vídeo que nos apresenta a nova direcção e os "novos"/reforçados objectivos do PÚBLICO e que o assumem como "Um Jornal para o Futuro".

PS - A nova directora Bárbara Reis vai estar 2ª feira à conversa no Pessoal&Transmissível de Carlos Vaz Marques na TSF, quem não apanhar em directo pode ouvir aqui.

António Sérgio para sempre no Éter

imagem: antónio sergio © Sardine&Tobleroni My Mirror - History of Portuguese Rock in 39 Paintings

Isto lá é notícia para começar o dia? Um tipo acorda e a primeira coisa que lê tem no título "Faleceu o Radialista António Sérgio"... Um nome e uma voz daquelas que nos habituamos a ter sempre lá, para ouvir, sem corrermos para o rádio, sem sofrermos por faltar à chamada porque teremos sempre o dia seguinte. Desde o momento em que alguém nos aponta o caminho que percebemos que os lobos merecem ser escutados - pelo que sabem, pelo que ensinam - correm escondidos mas quando damos de cara com eles sabemos que será uma experiência intensa.

Se uns fazem música, outros divulgam, ajudam, produzem... Há esse lado também. Do passado? Claro, mas num tempo em que era preciso lutar até para conseguir fazer isso, num tempo em que a música portuguesa não significava o mesmo que significa hoje e onde a música não ocupava o tempo e importância que hoje ocupa nas nossas vidas. O nome António Sérgio, nunca é demais dizê-lo, faz parte da história do Rock.

Aproveitemos a última semana de emissões que sobreviveu ao autor e vai para o ar esta semana, como se nada tivesse acontecido - life goes on... Espero que lá na eternidade se faça uso das ondas do éter, será um bom uso certamente.

sábado, 31 de Outubro de 2009

A sempre muito bela amizade feminina


imagem: Jornal de Notícias
- Eu não acredito... mas o que é que estás a ver?
- Querida, é o jornal. Estou a ler o Jornal de Notícias não se vê logo...?
Ah! Nada como um salão erótico para justificar certas fotografias na página de entrada dum jornal nacional e de tiragem muito assinalável. Agora não se deixem enganar, não é ironia, eu não tenho mesmo nada contra, só a favor. Das imagens, do salão erótico, das brincadeiras... Sobretudo quando envolvem amizade feminina, assim bem pura e natural, como a que pode ser vista em cima... Aliás, acho que vou ali dar uma voltinha.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

F1 em Abu Dhabi


Estou em crer que isto é muito mais do que uma pista e, tendo em conta a beleza desta e de outras imagens que poderemos ver aqui, aquilo que por lá se está a passar é muito mais que uma corrida de carros, antes um desfile de máquinas potentes num cenário idílico.

Mónaco, tu põe-te a pau. Os petrodólares têm a mania de aparecer do fundo da terra e com a capacidade que eles têm de construir na base do megalómano... Olha que estes também têm uma marina e tudo.

O Sítio das Coisas Selvagens


Senhores que mandam nisso, será que dava para antecipar a estreia deste filmaço? É que não sei se consigo aguentar a minha expectativa até ao final do mês de Novembro - quinta-feira 26 de Novembro, para ser mais correcto. E eu que já estou à espera, pelo menos, desde Julho. A Estreia nos Estados Unidos foi faz tempo e rebentou com as bilheteiras e eu, como uma criança que gosta de ter os brinquedos no Natal em que rebentam de novidade, não quero viver as emoções que outros viveram no Natal anterior... Perceberam a ideia?

Sim... muito giro

Na lista das "ideias parvas" mais parvas de sempre, sou gajo para apostar que esta teria um lugar bem aconchegado junto das ideias líder. Sobretudo porque se trata duma empresa, alemã ainda por cima... Digo ainda por cima porque seria de esperar que da Alemanha só coisas com seriedade. Vendo bem as coisas tanta seriedade dá vontade de, de vez em quando, para saltar fora do resto alguém tentar deixar de o ser e depois dá em ideias destas: prender mensagens publicitárias em moscas...

Então mas os senhores da PETA não vêem isto? Ou lá porque são moscas que se lixe... Se fosse eu a andar por ali dava-lhes com uma coisa destas e acabava-se a brincadeira.



via: Gizmodo

Saramago vs Holy Bible

Novo livro de Saramago esgota três edições em 10 dias


Grande coisa, segundo a Bíblia os cinco continentes foram criados em menos 4 dias. Acho que, sendo assim, está decidido.

Badocha, chubby, bacorinho...

Serve o presente para comunicar que em breve deverei passar a ser muito comummente designado de "chubby, chubby", tal é o volume que a parte final do meu tronco - o mesmo que liga a parte torácica à zona da anca - tem ganho de forma silenciosa. Silenciosa se exceptuarmos uma ou outra camisa, t-shirt e olho treinado para detectar gordurinhas, é óbvio que é dos olhos de lince femininos que estou a falar.

A verdade é que não me encontro gordo porque o ridículo é que a protuberância frontal que cobre aquilo que designam de vísceras e que se tem enchido duma matéria flácida e desconhecida por mim até ao momento, termina imediatamente por cima da linha por onde apertam os cintos e à qual muito bem e duma forma ultra-coerente alguém resolveu designar de cintura. Esta sem o epíteto "via", como aquela de que oiço falar todas as manhãs e que, já aprendi, fica localizada na Invicta cidade do Porto.

Localizada... Tem piada, ainda no outro dia alguém teve coragem de me vir com essa palavra pondo-lhe antes o substantivo e respectivo diminutivo gordurinha. Engraçadinha era a comparação com a barriga dum etíope daqueles que aparecem nas noticias, mas essa voz é parva e, por isso, não lhe dei ouvidos. Uma outra perspectiva mais animadora, vinda dum espécime do sexo masculino armado em muito mais do que é, disse-me que tudo não passava de calo sexual - assim como quem diz nem imaginas o tamanho da minha, se eu levantasse agora a camisola... Outra voz feminina garantia: "cervejinha amigo". "Obrigado amiga!" "Não tens de quê".

Uma outra voz saída nem sei bem se do meu lado se da minha cabeça assegurou cheia de certezas: é da idade, daqui é sempre a subir, que é como quem diz a aumentar. Mas de onde é que vem tanta matéria para alimentar este tecido adiposo que ainda ontem não estava aqui? Será que alguém quer fazer sabonete natural? Sei lá, é uma ideia...

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Alex Gopher - The Child

De repente, tive saudades desta música e deste vídeo... Pretty Neat, em ambos os casos.

E assim como quem a encontra no meio do filme "Le Fabuleux Destin D'Amélie Poulain", resolvi proporcionar um encontro parecido aqui neste espaço igualmente naïf, mas com um destino menos auspicioso e, sobretudo sem o cenário inspirador duma sex shop. Do meu lado está a vantagem de poder mostrar este storyboard animado que até mete dó designar de videoclip.


quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Google Wave pedinchice

A pessoa que me enviar um convite para entrar no universo da onda descrita pela imagem acima será de ora avante considerada muito minha amiga. Diria mais: muito minha amiga.

Vejam lá que até descobri que há quem proponha troca de convites mediante uma certa quantia em dinheiro. Já fiz aqui referência à ideia de que de ora avante...