Atropelei o Calimero

De bestial a besta em meia dúzia de perguntas

sexta-feira, 19 de setembro de 2008 by ocondutor | 0 comentários
Desta vez a culpa não é minha, a minha ausência explica-se muito facilmente com um simples problema de disco... de disco do computador entenda-se. Felizmente que uma alma caridosa me está a ajudar a ultrapassar este momento difícil... adiante.

Tenho andado preocupado com as conversa que se sucedem a propósito dum programa novo que oferece dinheiro às pessoas em troca de verdades inconvenientes. Depois do marido infiel, o merceeiro intruja. Pessoalmente, estou agora à espera da esposa meretiz, do cozinheiro pouco asseado e, quem sabe, do melhor amigo da onça (o que dorme com a mulher do amigo, quem mais?).

Da onça é também a apresentadora que à laia de amiga vai mandando mais lenha para a fogueira, não faz mais do que a sua obrigação, quem se ajoelha... Não quero saber se é bem ou mal feito (acho que em termos televisivos é), não quero saber se as pessoas são vexadas e recebem em troca uma vida meio destroçada e algum dinheiro para compensar. Não vou dizer que não perco tempo a ver, porque a curiosidade habitual levou-me a tentar perceber o que era esta Máquina da Verdade.

Bem sei que este texto indica o contrário, mas não me apetece muito discutir o tema. Já lá vai o tempo em que eu também me perguntava: como é que alguém se sujeita a isto? Quando cheira a dinheiro tudo é possível e há sempre quem se deixe seduzir pela TV e faça o favor de aparecer nos programas. A diferenças entre um tipo que tenta ganhar dinheiro num concurso tipo cultura geral e um que tenta ganhar dinheiro num programa destes é que o último não tem confiança nos conhecimentos que tem. Mas felizmente a televisão é generosa e tem várias formas de nos meter algum no bolso. Há sempre um bom e amigo programa de chamadas telefónicas pela noite dentro, as boas e saudáveis sms apelidadas de concurso de casa e o que mais se conseguirem lembrar. Eu, sou daqueles que prefere ficar a contar os trocos... e o único guito que ganho com a tv é mesmo o ordenado. Manias!

Voltando ao rumo que queria dar a este texto, acho que tanto debate à volta do tema é irrelevante. E debates com doutos comentadores, por favor! Não os ouvi teorizar sobre o assunto, mas não acho que caiba seja a quem for julgar ou sequer comentar a vida dos outros quando, e não quero insinuar ou acusar ninguém, todos temos coisas de que nos arrependemos. E pobres coitados, cidadãos normais deste país, que lá porque de repente se veem num tribunal publico improvisado e só credível para quem lhe der credibilidade, acabam por servir de exemplo aos outros e são logo punidos no tronco mediático à custa de serem grandes pulhas...

O programa resume-se a isto: como passar de bestial a besta em meia dúzia de perguntas. Se quando se sentam são pessoas de ar simpático, de ar afável, normal com uma família engraçada e sorridente, um pouco como nós que os vemos, rapidamente começam a passar para o lado de lá e confessam as mais hediondas faltas e pecados. Será que são assim tão diferentes dos restantes... ou será que simplesmente responderam a perguntas incómodas sem mentir. Ah! Para ganhar dinheiro, claro!

tv
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Rickard Wright a Floyd now flyin'

segunda-feira, 15 de setembro de 2008 by ocondutor | 0 comentários
Se tivesse de "culpar" uma banda por ouvir música teriam de ser os Pink Floyd. E na lista de culpados materiais: Rick Wright, que hoje deixou fisicamente a face da terra, seria um dos nomes de topo.

Com, talvez, 10 anos pouco mais fazia do que ouvir em repeat o vinil, que nem sequer era meu, de "Delicate Sound Of Thunder", gravado ao vivo, do qual adorava e adoro a capa. Anos mais tarde, foram os Floyd a primeira banda que me levou a querer saber mais sobre os outros discos, que eram tantos... E sobre a história. Descobri que havia um maravilhoso mundo, não novo, mas passado que era preciso ouvir e investigar. Não foi fácil numa altura em que o dinheiro eram nenhum e as fontes pouco maiores. Havia quem ouvisse e tivesse alguns discos e muitas cassetes gravadas mas todos bem mais velhos e pouco disponíveis para conversas... Foi esperar uns anos e voltar à carga!

É justo assinalar que, como já deu para perceber, os Floyd atravessaram a minha vida. Não vou dizer que Rick Wright era o meu favorito ou que absorvia os sons do teclado que, sempre soube embora sem reparar, tocava com mestria. Wright é, ao lado do baterista Nick Mason, o único que sobreviveu às três faces e personalidades que lideraram a banda: Barrett, Waters e Gilmour. Aliás ainda nem os Floyd existiam e já Wright, Mason e Waters tocavam juntos como Architechtural Abdabs depois de se conhecerem no curso de arquitectura em Londres. É também o nome dele que aparece nos créditos de muitas das músicas dos Floyd, em particular o maior de todos "Dark Side Of The Moon" com destaque para a faixa "Time" que me causava imensa estranheza (em jovem é óbvio) e que se tornou numa das minhas favoritas. Mas dizem que o grande contributo está na faixa "The Great Gig In The Sky"...

Wright foi o primeiro a abandonar a banda devido aos conflitos com Waters já depois do lançamento do "The Wall", mas a importância de Wright é comprovada pelo facto de Waters e companhia o terem chamado para tocar nos concertos ao vivo do próprio "The Wall". Mais tarde acaba por voltar em pleno já com Gilmour na dianteira e Waters fora do baralho. Muitas mais histórias haverá, mas não sou um profundo conhecedor da matéria floydiana. Sei que teve outro projecto durante o tempo que esteve afastado e que depois gravou um disco a solo já depois dos Floyd se terem dissipado no nevoeiro.

Dizia-se que um dia iam voltar um dia os quatro juntos, como o nosso D. Sebastião, pode ser que seja em homenagem a Wright. Fica a ideia.

música
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310k #8 - "mit dir sind wir vier"

by ocondutor | 0 comentários
E não é que na sua oitava edição o podcast mais supimpa da internet portuguesa se torna entendível também para pessoas falantes da língua germânica?

Tudo bem que é apenas uma frase e subtilmente copiada dos International Pony a quem resolvemos dar destaque, mas está lá. E os germânicos entendem-na. Quem não entender vai ter de ouvir o episódio todo. Vá lá! Não custa mesmo nada, basta fazer play assim que se abre o nosso browser e enquanto se põe em dia e-mails, blogs e páginas de net em geral: "olha já acabou o episódio!"

E vão ver que até se divertem, não connosco nem com o que é dito e destacado, mas pela repetição de expressões como "basicamente", "ahhh", "humm" e, não esquecer, exacto ou na variante "exactamente". Uma ou outra vez vão-se divertir ao perceber que, no fundo, "aqueles gajos não sabem do que estão a falar"... No fundo, comprovem e digam lá se vale ou não vale a pena subscrever e receber sem esforço o feed dos novos episódios?


net
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Luto...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008 by ocondutor | 1 comentários
Começa hoje a morte de um dos sítios mais incríveis do nosso país. A Sonae vai inaugurar hoje as primeiras camas do seu "Tróia Resort", um projecto ambicioso do qual já falei aqui mas apenas de passagem. Serão mais de 15 mil camas bem no meio de ecossistemas frágeis e únicos. Bem sei que a paisagem justifica o investimento e não se consegue manter um lugar daqueles "escondido" por muito tempo. E fugir ao mar de euros que por lá vão cair, bem isso ainda seria mais difícil...


Fazendo as contas percebe-se que a coisa vai ser bem pior do que parece. Começamos com as 15307 camas disponíveis, a isso somamos a marina que pode servir de residência para alguns, junta-se o pessoal de apoio aos hotéis, apart hotéis, marina, campos de golfe e praias e não podemos esquecer os novos ferrys, mais rápidos e mais confortáveis, que vão ter como consequência trazer ainda mais gente para a península. Tudo somado dá um cocktail explosivo de gente: uns com mais respeito pela natureza, outros menos mas todos vão trazer movimentos e barulhos que vão afectar a zona. Carros, camiões e barcos a cruzar o sado trazendo gente de Setúbal ou em direcção à marina. E se os golfinhos agora acham piada porque são poucos, será que vão gostar de ter os barcos a rodeá-los por todo o lado e a empurrar o seu alimento para longe?

A Quercus está preocupada com eles e com as dunas, eu diria que nos devíamos preocupar todos mas a preocupação não resolve nada... Agora a península tem um dono, ou vários donos porque há casas que serão para vender e, com isso, teremos mais gente o ano todo.

You can't stop progress!

vida
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Totoloto

sábado, 6 de setembro de 2008 by ocondutor | 0 comentários
Há anos que não via a extracção do totoloto e estou pasmo!

Em boa hora o meu zapping parou nesse momento que recordo com saudade dos tempos de infância. A imagem é a seguinte: família reunida para o jantar de Sábado à noite. Lá fora chuva e frio, cá dentro o calor do radiador. Na tv Serenella Andrade, acho que não era sempre ela mas é a cara que recordo, ditava os números que iam saindo. Os números nem eram postos graficamente no écran, nada disso era tudo manual. As bolas deslizavam pela passadeira metálica e era necessário encaixar uns quadrados de plástico com os números escritos para que lá em casa se visse melhor a sorte que calhou a cada um. Depois era a luta de ver quem ia conseguindo decorar os números porque nem sempre havia uma caneta à mão. Os comentários: "outra vez o 11? Há 3 semanas seguidas que sai o mesmo número." Depois agarrava-se no boletim e lá se iam marcando os números em que se tinha acertado. O veredicto, na melhor das hipóteses, era o célebre três: "já paga a aposta da próxima semana". Saudades de casa e de ser criança...!


Posto o recuerdo, o espanto. Então não é que a voz não é a da Serenella (permitam-me que a trate como se a conhecesse), olha é a Catarina Miranda. Então não é que a tômbola já não tem elementos metálicos. É tudo num acrílico moderno. E as bolas já não saem por baixo, há uma roda que gira à volta da tômbola e retira a bola por cima. Por cima, imagine-se! E depois gira em trono da tômbola até deixar cair a bola na parte inferior, pondo-a a deslizar sobre o acrílico, imaculado, moderno, estranho... E onde está o meu boletim e a caneta para conferir?

Prá semana jogo e fico plantado em frente à tv, ligo o radiador e o jantar está marcado para esta hora! E prometo que tomo banho imediatamente antes, visto o pijama e um robe... Ups, denunciei-me...!

PS - procurei em vão um video que ilustrasse a mudança, não consegui. Mas descobri que, em tempos, alguém achou que isto era boa ideia:



tv
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Mais uma ideia recente...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008 by ocondutor | 0 comentários
Hoje fui ao banco depositar uns trocos que juntei.

A senhora da caixa ficou a olhar para mim e perguntou:
- Tem a certeza que quer depositar estas notas?
Não entendi, ela explicou...

- É que as notas estão manchadas!
- Ah! Que susto! - expliquei que a minha caneta tinha rebentado e que até tive de limpar os meus cartões com álcool, usei dois frascos e ainda tentei as notas...
- É melhor chamar o gerente...
- Deixe estar, não se incomode. Eu vou a outro lado!
- Boa sorte!

Será que ela conseguiu ver a caixa multibanco na parte de trás do carro? Até tive o cuidado de não estacionar à porta... Já ninguém respeita a profissão dos outros... eh, pá! E as notas que ficaram tão giras...

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"Cheiro a Pólvora" em Angola

segunda-feira, 1 de setembro de 2008 by ocondutor | 1 comentários
Depois de ter lido com agrado "Repórter de Guerra" de Luís Castro e ter exclamado mil vezes "fossssga-se" ou ter rido de situações que de cómicas só têm o facto de não terem resultado em morte, foi maravilhado que cheguei a este Cheiro a Pólvora .

Para além desta ser uma ligação directa ao coordenador do Telejornal da RTP1, o que só por si não é pouco, ainda é possível ajudar o senhor a encontrar novos temas e pontos de vista para reportagens, assim nos apeteça colaborar. A par disso, Luís Castro foi publicando alguns excertos do referido livro, que acreditem tem muito mais para descobrir do que por aqui já foi publicado.

Os mais atentos já perceberam que o Luís Castro anda por Angola a preparar uma série de reportagens para o Telejornal da RTP. Até ao momento já foram para o ar duas reportagens e há mais a caminho, a promessa é feita pelo autor, ao ritmo de uma por dia.

E se o jornalista anda por Angola, pois que o blogue também por lá se movimenta. É por assim dizer uma visita guiada ao terreno, à preparação e às peripécias que sempre acompanham estas situações. descobrimos que Angola é um estaleiro e que está a fazer o que não fez em anos de guerra, algo a que facilmente teremos acesso nas reportagens. O que dificilmente poderemos ver nas reportagens é a história da multa a troco dum sinal de trânsito que não estava mas que segundo o polícia já esteve e, por isso, é a mesma coisa, e à custa duma regra de trânsito inventada na hora. Ou do lixado que é pagar, até para um jornalista às custas da redacção, um almoço a peso de ouro. Dá para ver que há algum fascínio nas palavras de alguém que andou a saltitar entre os dois lados duma guerra civil e que agora regressa para relatar a reclonstrução, ou ainda parte dela.

Resumindo e baralhando, Luís Castro dá-nos, por estes dias, os extras daquilo que é o trabalho a ser mostrado na RTP, para onde tem deixado os links. Passem por lá para a espreitadela.

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PS - Já agora, pode parecer exagerada esta insistência na guerra e na pólvora, mas bastam estas palavras para se perceber:
"Estou para sair de casa quando me cruzo com a minha mulher. (...) Vê-me vestido com o colete que uso nas guerras e fica parada à entrada da porta.
- O que se passa?
- Mandaram-me outra vez para a Guiné. Recomeçou a Guerra.
- Definitivamente, não tens juízo. Lembra-te de que tens dois Filhos!"

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